O Reino do Crime

Até o Rei do Crime sabe

Na ficção, sempre que um criminoso quer fugir, seja para se ‘aposentar’ ou porque está sendo perseguido, o Brasil é um recorrente destino. Recentemente estava lendo um gibi do Spiderman, onde ele consegue provas para levar o vilão conhecido como Rei do Crime (kingpin) à prisão. Obviamente, o criminoso foge e, na página seguinte, aparece num país tropical, bem parecido com o nosso Rio de Janeiro. E na vida real não é muito diferente.

O mais recente caso é o do escritor italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália pela autoria direta ou indireta do assassinato de quatro pessoas, que foi atribuído ao PAC, grupo armado de extrema esquerda no qual fazia parte e alguns assaltos e outros delitos. Na Itália ele é considerado um terrorista.

Cesare morou muitos anos na França e teve sua extradição negada por duas vezes, mas em 2004 a França resolveu entregá-lo para a Itália. Obviamente, ele fugiu. Para onde? Mais uma vez obviamente, para o Brasil.

Ê! É festa!

Em 2007 foi detido no Rio de Janeiro e assim começou essa novela, que teve mais um capítulo no último dia 31 de dezembro.

Eu penso que, se dois países têm boas relações diplomáticas, deve haver uma parceria mútua para casos desse tipo. Se Battisti foi julgado e condenado pela justiça italiana, o Brasil deveria imediatamente entregá-lo às autoridades de seu país para que seja feito o que foi determinado. Negar sua extradição é cagar na cabeça da justiça italiana e contestar seu julgamento. Battisti se defende, diz que é inocente e perseguido, o que até pode ser verdade, mas se houve julgamento e condenação, o governo brasileiro deve sempre acatar as decisões da justiça, não cabe ao Brasil se meter dessa forma, ou então corta as relações com a Itália e foda-se, aí pode fazer o que quiser.

Eu entendo que uma condenação à prisão perpétua e com isolamento solar pode parecer bastante cruel, mas Battisti cometeu os crimes na Itália, foi julgado e condenado com base nas leis daquele país, então todas as nações que possuem relações com a Itália deveriam agir em conjunto para que seja feito o que manda a justiça italiana.

No dia 31 de dezembro de 2010, o presidente Lula decidiu não conceder a extradição de Cesare Battisti.

O então ministro da justiça Tarso Genro disse que a pressão feita pela Itália para a condenação do réu “É um desaforo ao Estado brasileiro e um desaforo à democracia no país”. WTF? E a decisão do Lula não é um desaforo à justiça da Itália?

Não estou dizendo aqui que Battisti é culpado ou inocente, isso é assunto para a justiça italiana decidir (e já decidiu), o que me preocupa é esse lance de Battisti se dizer ativista político e que suas ações na época eram de cunho ideológico. WTF[2]? Quer dizer então que, se for por motivação política, pode matar, detonar bombas, etc? Aí fica mais bonita a nomenclatura, né? O Brasil não abriga um criminoso, mas sim um refugiado político. Ah, vá se foder.

Sei que, daqui a pouco, Battisti estará em Ipanema, aproveitando uma bela praia, bebendo sua caipirinha e confirmando a tese de que, pelo menos no Brasil, o crime, por motivação política ou não, compensa.

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